Depois da folia, o Estadual do Rio, enfim, mostrou um belo jogo de futebol entre Vasco e Flamengo. Vitória justa dos cruzmaltinos por, pelo menos, três motivos: o time está estruturado, equilibrado nos três setores, enquanto o rival não consegue fazer o que Joel quer porque não tem defesa; não se perde o gol que Deivid perdeu impunemente; e Joel perdeu uma grande chance de pender o clássico a seu favor por hesitar no segundo tempo.
Falemos primeiro desse Vasco que enche sua torcida de orgulho – afinal, depois de um 2011 de sonho, faltava quebrar o jejum contra o rival. Jejum esse que fez o time se desetabilizar por cerca de 15 minutos após o gol de Vágner Love. Só esse peso tiraria o Vasco do prumo. Após o empate, as coisas se equilibraram.
No segundo tempo, o time passou a jogar xadrez, sempre com o jogo controlado. Cristóvão comportou-se como um bom boxeador, que respondia a cada estocada do Flamengo com outra. Respondeu rápido à entrada de Botinelli, colocando Felipe. E não encontrou resistência até dar o golpe fatal. O destino do Vasco é superar dificuldades, trata-se do time da virada, e cumpriu seu destino. Está de parabéns por ser hoje o melhor time da cidade.
Vamos ao Flamengo. O gol que Deivid perdeu é um caso à parte. Pensar que decidiria o jogo é desmerecer o Vasco. Claro que ele tem uma baita responsabilidade na eliminação do time. Mas a postura de Joel foi também um erro grosseiro. Até os 15 minutos do segundo tempo, o Flamengo foi bem. Saiu na frente, não se intimidou com o empate, tudo ok. A partir dali, contudo, o jogo ficou aberto, lá e cá. Havia espaço. E Joel ficou com medo de colocar Negueba, junto com Botinelli.
O argentino entrou quase junto com Felipe, mas levou vantagem porque tem mais fôlego. Se Negueba, cuja única serventia hoje é correr com espaço, entrasse, ou o Flamengo mataria ou jogo, ou obrigaria o Vasco a se conter. O destino do Rubro-Negro é atacar. Joel abdicou disso e foi merecidamente punido.
P.S.
- Para que diabos servem os árbitros atrás do gol? No Flu x Vasco, houve um escandaloso escanteio não visto por essa figura. No Fla x Vasco, Prass mudou a trajetória de um chute de Love, nas barbas de Sua Senhoria, e foi marcado tiro de meta. Ou será que o teste da Fifa é com árbitros cegos?
- A única coisa boa que Ronaldinho Gaúcho fez foi sem bola. Aos dois minutos de jogo, puxou dois marcadores, deixando Love no mano a mano com Fágner. Nos 88 minutos seguintes e nos acréscimos, não fez mais nada. O Flamengo já pode se considerar lesado. Ronaldinho está cansando a torcida.
- Como Love era o único atacante perigoso do adversário, Cristóvão colocou Dedé a marcá-lo. E por maior que tenha sido o esforço do camisa 99, o duelo só serviu para mostrar que o zagueiro vascaíno sobra na posição. Merece a Seleção, mas como titular.
- Joel Santana é um exímio armador de sistemas defensivos. É muito difícil fazer gols em seus times, quando esse sistema funciona. Mas isso só acontece quando ele tem uma boa dupla de zaga. No Flamengo de hoje, tentar esse sistema é burrice do tamanho da inaptidão para o futebol de Wellinton, Braz e Geladeira, que conseguiram deixar o baixinho Fágner cabecear, no lance do segundo gol vascaíno – e que, somados, não dão um zagueiro médio. Ou González acerta a defesa, ou a única chance do Flamengo será atacar e fazer mais gols do que certamente levará
- No lance de Deivid, o bandeirinha já iniciava a corrida para o meio-campo e Fernando Prass não viu a conclusão, já estava virado, reclamando da zaga – tomou um susto quando viu a bola passar de volta à sua frente. Lembra-me de um lance na final do Estadual de 83. No segundo tempo, o rubro-negro Lúcio foi à linha de fundo e mandou a bola rasteira para a pequena área. Ela passou por baixo do goleiro tricolor Paulo Victor e encontrou Cláudio Adão quase encostado na trave. O atacante jogar o pé em direção da bola. Errou o cálculo e ela passou-lhe entre as pernas. O resultado qualquer tricolor se lembra bem. Adão foi dispensado naquela ocasião. Deivid deveria sê-lo agora. É um lance para justa causa.
Fonte: Blog: Entre as Canetas por Ricardo González
Sportv
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